terça-feira, 17 de maio de 2011

Pálpebras de Neblina.

Fim de tarde. Dia banal, terça, quarta-feira. Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido freqüente demais, ou até um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eu estava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante, persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura. Projeções: e amanhã, e depois? e trabalho, amor, moradia? o que vai acontecer? Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecer acontecerá. Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará. Essas coisas meio piegas, meio burras, eu vinha pensando naquele dia. Resolvi andar. Andar e olhar. Sem pensar, só olhar: caras, fachadas, vitrinas, automóveis, nuvens, anjos bandidos, fadas piradas, descargas de monóxido de carbono. Da praça Roosevelt, fui subindo pela Augusta, enquanto lembrava uns versos de Cecília Meireles, dos Cânticos: "Não digas 'Eu sofro'. Que é que dentro de ti és tu? / Que foi que te ensinaram/que era sofrer?" Mas não conseguia parar. Surdo a qualquer zen-budismo, o coração doía sintonizado com o espinho. Melodrama: nem amor, nem trabalho, nem família, quem sabe nem moradia -coração achando feio o não-ter. Abandono de fera ferida, bolero radical. Última das criaturas, surto de lucidez impiedosa da Big Loira de Dorothy Parker. Disfarçado, comecei a chorar. Troquei os óculos de lentes claras pelos negros ray-ban - filme. Resplandecente de infelicidade, eu subia a Rua Augusta no fim de tarde do dia Tão idiota que parecia não acabar nunca. Ah! como eu precisava tanto de alguém que me salvasse do pecado de querer abrir o gás. Foi então que a vi. Estava encostada na porta de um bar. Um bar brega - aqueles da Augusta-cidade, não Augusta-jardins. Uma prostituta, isso era o mais visível nela. Cabelo malpintado, cara muito maquiada, minissaia, decote fundo. Explícita, nada sutil, puro lugar comum patético. Em pé, de costas para o bar, encostada na porta, ela olhava a rua. Na mão direita tinha um cigarro, na esquerda um copo de cerveja. E chorava, ela chorava. Sem escândalo, sem gemidos nem soluços, a prostituta na frente do bar chorava devagar, de verdade. A tinta da cara escorria com as lágrimas. Meio palhaça, chorava olhando a rua. Vez em quando, dava uma tragada no cigarro, um gole na cerveja. E continuava a chorar - exposta, imoral, escandalosa - sem se importar que a vissem sofrendo. Eu vi. Ela não me viu. Não via ninguém, acho. Tão voltada para a própria dor que estava, também, meio cega.Via pra dentro: charco, arame farpado, grades. Ninguém parou. Eu, também, não. Não era um espetáculo imperdível, não era uma dor reluzente de néon, não estava enquadrada ou decupada. Era uma dor sujinha como lençol usado por um mês, sem lavar, pobrinha como buraco na sola do sapato. Furo na meia, dente cariado. Dor sem glamour, de gente habitando aquela camada casca grossa da vida. Sem o recurso dessas benditas levezas de cada dia - uma dúzia de rosas, uma música de Caetano, uma caixa de figos. Comecei a emergir. Comparada à dor dela, que ridícula a minha, dor de brasileiro-médio-privilegiado. Fui caminhando mais leve. Mas só quando cheguei à Paulista compreendi um pouco mais. Aquela prostituta chorando, além de eu mesmo, era também o Brasil. Brasil 87: explorado, humilhado, pobre, escroto, vulgar, maltratado, abandonado, sem um tostão, cheio de dívidas, solidão, doença e me-do.Cerveja e cigarro na porta do boteco vagabundo: carnaval, futebol. E lágrimas. Quem consola aquela prostituta? Quem me consola? Quem consola você, que me lê agora e talvez sinta coisas semelhantes? Quem consola este país tristíssimo? Vim pra casa humilde. Depois, um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui. Não por nobreza: cuidar dele faria com que eu me esquecesse de mim. E fez. Quando gemeu "dói tanto", contei da moça vadia chorando, bebendo e fumando (como num bolero). E quando ele perguntou "porquê?", compreendi ainda mais. Falei: "Porque é daí que nascem as canções". E senti um amor imenso. Por tudo, sem pedir nada de volta. Não-ter pode ser bonito, descobri. Mas pergunto inseguro, assustado: a que será que se destina?


Caio Fernando Abreu.


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Grande Caio, como eu gosto de chamar. Como é possível que eu tenha me identificado com o narrador do inicio e logo depois com a prostituta? Digo, com os sentimentos deles. Ou ainda, com o sofrimento. Acredite, eu me sinto como eles nesses versos. E aí eu paro e penso nos versos de Cecília "Não digas 'Eu sofro'. Que é que dentro de ti és tu? / Que foi que te ensinaram/que era sofrer?" 
Nunca tinha lido esse texto, só o trecho: "Depois, um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui." E me sinto imensamente triste quando não consigo fazer isso. Mas quando querer cuidar da dor do amigo mexe na minha, aí não. Aí eu corro, volto, não pergunto, não por enquanto, mas digo que estou lá. Mesmo me sentindo imensamente triste. 


"Dói tanto!" Se é daí que nascem as canções, alguém faça uma canção, por favor!

HappyBDayAnahi [14 de maio]



"Es mi cumpleee!:)mil gracias a todos! Cada mensajito me ha llenado de felicidad! Que la vida les regrese todos esos buenos deseos al triple!"

"Sé muy bien que solo soy un fan de corazón que no te para de soñar cada dia mas. Pero se tambien que entre la multitud alguna vez pudieras ver la luz sobre mi piel para reconocer el amor mas fiel."
Só pra não deixar passar em branco aqui o aniversário dela. Porque eu sou louca por ela. Porque ela é forte. É verdadeira, doa a quem doer. Porque é autêntica, porque nos diz pra sempre acreditar, ter fé e seguir lutando e sonhando. Às vezes a gente precisa de alguém assim na nossa vida. Tenho tantos motivos pra falar do meu amor pela Anahí. Mas essas coisas por mais que a gente tente, não se explicam. Tenho certeza que ela vai continuar recebendo muita luz e muito amor por qualquer caminho que trilhar. HappyBDayAnahi! (L)



terça-feira, 26 de abril de 2011

buena vibra!

(Infelizmente esse post ficou maior do que eu imaginava, mas acho que se alguém se dispuser a ler vai sentir pelo menos um pouquinho da alegria que eu quis passar!)

“Ya casi es mi cumple y tengo tanto q agradecerle al universo... Gracias a cada personita q esta en mi vida y la hacen tan feliz.

Começo esse post com uma twittada da minha tão, tão amada Anahí. É, estou chegando aos 18 anos, e estou tão empolgada, tão feliz. Diferente de ano passado, minha mãe não estava em Fortaleza, eu estava em pleno terceiro ano, estudando feito louca e meu aniversário caiu em plena quarta-feira. Ou seja, nada de festa, nada de sair pra comemorar, fiquei na bad, bad bad bad a pior bad de todos os aniversários e foi horrível, porque eu amava meu aniversário.. Até ano passado. Mas esse ano esta completamente diferente, minha energia esta positiva, eu estou feliz, vou sair pra comemorar, só quero abraçar quem eu amo, quero agradecer a Deus por tudo esta indo bem, tudo esta legal, “um legal tão batalhado, tão merecido, de costas e pernas doendo, mas com o coração tranquilo”. Opa. Tranquilo e coração na mesma frase? Por incrível que pareça. Não esta tranquilo como eu gostaria que estivesse, ainda sinto ciúme, ainda tenho mágoas e o pior, ainda sinto saudade. Mas eu sei que um dia ele vai estar suuper tranquilo. E também, se não estiver, não tem problema, se minha fé, minha força e minha felicidade estiverem aqui esta tudo legal. Engraçado que fazendo uma coisa tão boba, que eu nem lembro mais o que era, hoje eu pensei: gente, eu sai de um relacionamento. Então é assim que é sair de um relacionamento? Tudo bem, então eu sai de um relacionamento. Eu nunca tinha parado pra pensar isso e lendo acho que da até vontade de perguntar: e dai minha filha? Mas não sei, me peguei pensando nisso enquanto fazia algo rotineiro e me dei conta de que sai de um relacionamento. Mas voltando aos meus agradecimentos à vida. Acho que não tinha comentado antes aqui no blog, mas eu passei no vestibular. PRECISO deixar escrito aqui toda a loucura que foi isso. Lembro que no começo do ano comentei em um post que não havia passado e que estava desolada, triste e não aceitava. Pois bem. O novo sistema de seleção usado em Fortaleza se chama SISU. Minha nota de redação veio em torno de 600, o que nunca na minha vida aconteceu, e isso fez minha média ficar 704, o que não é baixa, mas que pro meu curso estava inferior ao necessário, porque é bem concorrido aqui. Se minha nota de redação tivesse sido 650 ou até 700 que ainda é baixa, mas é melhor que 600, eu teria entrado no curso de boa. Houve três chamadas e eu não entrei. Lista de espera: eu era a 11ª e chamaram até a 10ª. IMAGINE! Porém eu havia passado em uma cidade aqui perto de fortaleza, e fui, porque não estava conseguindo aceitar que todo meu grande esforço ano passado tinha sido em vão. Chegando lá tive que decidir voltar para o cursinho porque não estava aguentando ficar em uma cidade desconhecida, longe de casa e tudo mais. Voltei para o cursinho com mais responsabilidade ainda, mas aceitando melhor. Até que duas semanas depois, me ligam da UFC de Fortaleza e me avisam que sobraram duas vagas e como eu era a próxima na lista de espera eu estava dentro. Três dias depois também recebo a notícia que passei na estadual. INCRÍVEL. E aqui estou eu, de férias, pois só vou entrar na faculdade no segundo semestre. Faculdade de Psicologia, acho que não comentei. Então, diante disso, acho que tenho muito que agradecer a Deus! Não só por ter conseguido a vaga na faculdade, mas por ter saído de um relacionamento e estar aqui, vivinha! Dói, demora, parece que não vai passar, mas eu tenho em mente que vai! Mamãe me mandou parar de ser pessimista! Agradecer também por todas as coisas que passam despercebidas e não deveriam. Por todas as pessoas que estão na minha vida, que são maravilhosas, por todo o crescimento que Deus me proporciona, pela força, pela fé que nunca me falta, pela proteção, saúde, pela alegria! Obrigada meu Deus por TUDO que o Senhor me manda e principalmente por estar na minha vida. Por isso coloquei o que a Anahí disse, no começo do post, porque tenho muito que agradecer ao universo, por conspirar, por toda minha felicidade, por tudo que já tive, por tudo que teve que partir, mas que esteve aqui, por tudo que virá. Eu sei que posso passar por tudo. E principalmente agradecer pelos meus 18 anos de vida e pela pessoa maravilhosa que me trouxe ao mundo! Então espero que se alguém teve paciência e disposição de ler esse imenso post, que esse alguém esteja sentindo pelo menos um pouquinho de alegria e felicidade que era o que eu queria transmitir pra todos hoje! Passar um pouco de energia positiva, de bons pensamentos e de fé, fé para acreditar que tudo pode melhorar e que somos capazes de tudo suportar.
 Brindemos por ti, por mi y por el placer de estar vivos...

E termino o post com algo que li em outro blog.. “Não só de posts tristes se faz um blog!”  :D 


segunda-feira, 18 de abril de 2011

te extraño


Y asi lo que un dia fue ya no es.
(...)
Quiero olvidar que algun dia me hiciste feliz.

"Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo."
Porque às vezes parece que esse impulso esta em falta? Que esse impulso não esta fazendo o que deveria, não permitindo que essa dor insista por muito tempo? Cadê meu impulso? Acho que hoje ele tirou férias, eu estava indo bem, mas hoje, hoje eu andei muito mal.   
"Não foi nada. Deu saudade, só isso. De repente, me deu tanta saudade."



terça-feira, 12 de abril de 2011

Sejamos Gays. Juntos.

abril 12, 2011


Adriele Camacho de Almeida, 16 anos, foi encontrada morta na pequena cidade de Tarumã, Goiás, no último dia 6. O fazendeiro Cláudio Roberto de Assis, 36 anos, e seus dois filhos, um de 17 e outro de 13 anos, estão detidos e são acusados do assassinato. Segundo o delegado, o crime é de homofobia. Adriele era namorada da filha do fazendeiro que nunca admitiu o relacionamento das duas. E ainda que essa suspeita não se prove verdade, é preciso dizer algo.

Eu conhecia Adriele Camacho de Almeida. E você conhecia também. Porque Adriele somos nós. Assim, com sua morte, morremos um pouco. A menina que aos 16 anos foi, segundo testemunhas, ameaçada de morte e assassinada por namorar uma outra menina, é aquela carta de amor que você teve vergonha de entregar, é o sorriso discreto que veio depois daquele olhar cruzado, é o telefonema que não queríamos desligar. É cada vez mais difícil acreditar, mas tudo indica que Adriele foi vítima de um crime de ódio porque, vulnerável como todos nós, estava amando.

Sem conseguir entender mais nada depois de uma semana de “Bolsonaros”, me perguntei o que era possível ser feito. O que, se Adriele e tantos outros já morreram? Sim, porque estamos falando de um país que acaba de registrar um aumento de mais de 30% em assassinatos de homossexuais, entre gays, lésbicas e travestis.

E me ocorreu que, nessa ideia de que também morremos um pouco quando os nossos se vão, todos, eu, você, pais, filhos e amigos podemos e devemos ser gays. Porque a afirmação de ser gay já deixou de ser uma questão de orientação sexual.

Ser gay é uma questão de posicionamento e atitude diante desse mundo tão miseravelmente cheio de raiva.

Ser gay é ter o seu direito negado. É ser interrompido. Quantos de nós não nos reconhecemos assim?

Quero então compartilhar essa ideia com todos.

Sejamos gays.

Independente de idade, sexo, cor, religião e, sobretudo, independente de orientação sexual, é hora de passar a seguinte mensagem pra fora da janela: #EUSOUGAY

Para que sejamos vistos e ouvidos é simples:

1) Basta que cada um de vocês, sozinhos ou acompanhados da família, namorado, namorada, marido, mulher, amigo, amiga, presidente, presidenta, tirem uma foto com um cartaz, folha, post-it, o que for mais conveniente, com a seguinte mensagem estampada: #EUSOUGAY

2) Enviar essa foto para o mail projetoeusougay@gmail.com

3) E só 

Todas essas imagens serão usadas em uma vídeo-montagem será divulgada pelo You Tube e, se tudo der certo, por festivais, fóruns, palestras, mesas-redondas e no monitor de várias pessoas que tomam a todos nós que amamos por seres invisíveis.

A edição desse vídeo será feita pelo Daniel Ribeiro, diretor de curtas que, além de lindos de morrer, são super premiados: Café com Leite e Eu Não Quero Voltar Sozinho.

Quanto à minha pessoa, me chamo Carol Almeida, sou jornalista e espero por um mundo melhor, sempre.

As fotos podem ser enviadas até o dia 1º de maio.

Como diria uma canção de ninar da banda Belle & Sebastian: ”Faça algo bonito enquanto você pode. Não adormeça.” Não vamos adormecer. Vamos acordar. Acordar Adriele.


— Convido a todos os blogueiros de plantão a dar um Ctrl C + Ctrl V neste texto e saírem replicando essa iniciativa —


http://projetoeusougay.wordpress.com/

quinta-feira, 10 de março de 2011

mess




Confusão. Acho que sempre vou ser isso, uma confusão. Uma explosão de sentimentos que me deixam uma verdadeira bagunça. Uma hora quero que você se afaste, que você fique com o que você escolheu. Mesmo você vindo atrás, me da repugnância. Dias depois estou aqui, lutando pra manter esse sentimento que já se foi e que deu lugar a saudade. “e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho.” É assim que eu estou agora e eu queria que você soubesse, porque eu fico mesmo uma confusão em meio a todos esses sentimentos, a toda essa mágoa, essa raiva. Sim, raiva. Sinto raiva de tudo aquilo que acho errado e você faz. Sinto raiva de ter que aceitar que você faça porque não tenho mais nada a ver com sua vida e você não deve nada a ninguém. E porque eu tenho que conversar com você, recolher minha indignação, apenas porque não tenho mais nada a ver com sua vida? Não, não quero, quero gritar, apontar o dedo na sua cara, fazer todas as acusações que sempre estiveram entaladas, esbravejar e depois me sentir ridícula por ter explodido dessa forma, me sentir atordoada tentando rever a cena na minha cabeça e imaginar o que você esta pensando disso tudo. Quero me sentir assim perdida e sozinha no mundo e saber que você estará por mim. Mas não esta mais, tudo aquilo se perdeu, da mesma forma que a gente não vê como começa a gente não vê como termina, como aquilo tudo que fomos um dia, como hoje somos esse nada? Me diz, por favor, você também não consegue entender como hoje somos isso? Você lembra do que éramos, você ainda sente? Como? eu não entendo. Me pergunto até hoje, me indigno, quero gritar de novo, quero entender, eu e você não éramos assim, não éramos pra estar aqui. Não. Então porque? Porque às vezes estou tão segura do que sinto, do que se foi, e as vezes estou assim? Assim.. sem explicação. Raiva, mágoa, dor, amor, saudade, tristeza, fé, esperança, mágoa, amor. Amor? Oi, amor. Tudo se mistura dentro de mim e fica esse vai e vem, essa gangorra. Estou cansada. Estou farta! De todo esse ressentimento, de toda essa mágoa. De toda sua falta de paciência, de toda essa saudade de quando você se importava e me ouvia, não virava as costas de forma grossa! De todas as coisas erradas que pra você são certas! Eu estou farta! Então porque eu continuo nessa gangorra? Deus, Deus esta do meu lado, eu sei. Porque o perdão não vem logo? Porque alguém não vem logo e leva você pra longe? Eu quero isso? Eu preciso disso, é diferente. Não, talvez eu queira mesmo. Estou cansada, um dia bem, um dia mal, um dia cansada, um dia saudosa, estou cansada, cansada dessa bagunça dentro de mim.  beautiful mess.