sábado, 23 de fevereiro de 2013

Sobre André

Talvez estejamos todos mais loucos do que André. 
Nós, que sentimos as borboletas em nossos estômagos. Presas. 
Talvez André estivesse apenas... livre. 
Livre ao vê-las saindo de sua cabeça e voando, voando, voando. 
André acabou preso. 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Medicina


Que tu perdones las injusticias dichas a ti.
Que los compreenda, en toda tu magnitud, que los compreenda.
Son todos ciegos, se van a ciegas, esto hace el dolor con ellos. 
Pero tu eres grande.
Tu tambien necesita tu tiempo. Y tu tiempo es el mejor, hoy sé.
Pero duele y no pueden verte y esperarte.
Que perdones a ellos, pues esto no duele en ti,
y lo que duele en ellos tendrá cura, por ti.
Venga tiempo, con tu tiempo, sea la cura.
Perdone las injusticias dichas a ti.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Tempo, vida ou outra coisa.


Abriu os olhos, olhou ao redor, estranhou aquela luz entrando no quarto. Geralmente seu quarto era mais escuro e aconchegante, mesmo pela manhã. Esquecera-se de fechar a cortina, percebeu. Levantou-se e, após fazer o que era de costume quando pessoas normais acordam, ligou o computador. O que também era de costume para ela. Mas ligou o computador e naquele dia, logo naquele dia, o computador não funcionou. Resolveu então remexer suas coisas e acabou encontrando seu diário de cinco anos atrás. Talvez tivesse mesmo que encontrar aquilo. Sentou-se e começou a ler sobre um tempo em que não tinha tantas coisas que veio a ter depois. E quase se sentiu aliviada, como se fosse a mesma menina de cinco anos atrás. Sem todas aquelas recordações e perdas que tinha ao ler aquelas páginas antigas. Mas esse sentimento logo deu lugar a outro. Dentro do diário estava uma carta de uma amiga. E ler aquelas palavras a fez ver tantas coisas e ficou a pensar na súplica que sua amiga fizera ao escrever aquilo. “Como eu não conseguia ser melhor e cuidar melhor de uma amizade?” 

Tinha 14 anos. Apenas 14 anos. E quando a gente tem 14 anos acha que já tem maturidade, que não vai aprender mais nada, que já sabe tudo, que quando chegar seu primeiro amor vai ser aquele verdadeiro, que não vai te machucar nem te deixar. Quando a gente tem 14 anos a gente sente aquele sentimento que ela sentiu ao ler as próprias palavras, escritas cinco anos atrás. Ficou feliz por ter percebido que a crise exposta naquela carta fora superada, mas ficou muito mais triste por perceber, talvez pela primeira vez, como havia sido descuidada com aquela amizade. Amizade que hoje, cinco anos depois, está mudada, diferente, por causa da vida mesmo, porque a vida leva algumas pessoas para longe, inevitavelmente. Mas se perguntou se durante o tempo em que aquela amizade durou todas as mágoas causadas por ela e todas as suas falhas ficaram de lado e foram perdoadas pela amiga. Gostaria que a resposta fosse sim. Teve vontade de procurar a amiga, agora distante, e dizer-lhe que reencontrou a carta, que mesmo tanto tempo depois, sente muito. Que sente saudades, que espera que esteja bem e que tenha encontrado uma amiga melhor para ela. Gostaria de dizer tudo isso, mas sentiu-se tão envergonhada que preferiu ficar calada.

Sentiu-se mais envergonhada ainda ao perceber que mesmo hoje, cinco anos depois, possui algumas características relatadas pela amiga naquela carta. Se fossem características boas, pelo menos. Falhas. Falhas presentes ainda hoje. Sentiu-se aliviada por conseguir reconhecer isso e decidida a concertar. É o mínimo que pode fazer, por uma outra amizade, já que não pôde fazer por aquela que talvez nem exista mais. E talvez por isso tivesse mesmo que achar aquele diário. E ler aquela carta. Para enxergar coisas que não conseguiria enxergar sem ler aquilo. E sua amiga, ao escrever aquilo, mal sabia que estaria ajudando-a cinco anos depois. Talvez tivesse mesmo que ver isso em si mesma naquela tarde. Para cuidar do que ainda pode, como prometera. E isso é mesmo encantador na vida, não?

Essa é uma das dádivas do tempo. Ensina-nos e nos ajuda a crescer e a amadurecer. Tempo ou vida? O nome não importa. O que importa nesse momento para ela é não ser mais indiferente com uma verdadeira amiga, não pensar, nunca mais, apenas em si própria, embora reconheça que esse defeito já não é tão presente. Já sabe escutar o outro, pelo menos um pouquinho. Não ousa dizer que com 19 anos melhorou todos os seus defeitos. É por isso, por essa maturidade e aprendizado que sente medo, hoje.  Porque sabe que sempre há algo para aprender. E que, geralmente, aprendizados chegam com perdas... Perdas que doem. Medo também porque sabe que algumas amizades chegam ao fim, mesmo quando parecem eternas. Não só amizades. Amores. Vidas.

E diante de tudo isso que sabe agora e que não sabia quando era apenas uma menina há cinco anos, se assusta. Se assusta também ao pensar em tudo que virá a saber daqui há cinco anos, ao ler essas palavras, quem sabe.

Que Deus a ajude a cuidar deLa. Que o tempo seja generoso.
Tempo ou vida, quem sabe.

                                                                                                  Lívia Gurgel

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Quanto tempo leva um coração pra se curar?


Silêncio.
É o que se ganha quando se faz uma pergunta que não tem resposta.  
Não se sabe como tudo começa. A paixão, a loucura, a cegueira toda de um novo e belo amor. E não se sabe como se cura deste ao seu final. Mas chega a ser engraçado ver as pessoas acreditando na cura precoce de um coração. Não é?

- Você está perguntando do meu ou do seu?
Porque eu até falaria que o seu se recuperou melhor que o meu, o que foi surpreendente.

E ri. Juram estar vendo um coração curado. Mas não sabem que um coração pode não estar curado e mesmo assim continuar seguindo? Não imaginam quantas paredes foram levantadas à frente dele. Não imaginam quantas lembranças foram empurradas para sabe Deus onde, para que não retornem, para que não atormentem, pra que um dia, quem sabe, esqueçam o caminho de volta e se percam para sempre.



Sigo em busca desse tempo..


domingo, 10 de junho de 2012

C a n s a d...


Ando tão cansada de urgências. De sentimentos intensos demais, de querer compreender tudo que se passa aqui dentro, das pessoas querendo compreender, das pessoas se importando com coisas pequenas demais, se aborrecendo com coisas pequenas demais, se chateando e cortando relações com outras pessoas por bobagens. Ando tão cansada de drama, de exagero, de reflexões exageradas que não levam a lugar nenhum, de questionamentos, suposições, de desabafos. Ando tão cansada que tudo que eu quero, às vezes, é ficar assim, sozinha no meu quarto em pleno domingo enquanto todos os meus amigos estão juntos se divertindo, uns na boate, outros na casa de alguém, e por aí vai. 
Ando tão cansada de gente se metendo na vida dos outros. Quem decide o que eu vou beber sou eu. Se eu quero beber cerveja o problema é meu.  E se eu quiser sair de uma reunião de amigos porque, sem mais nem menos, não estou me sentindo bem lá, deixe que eu vá. Não podia ser simples assim? Mas as pessoas estão sempre querendo que as coisas permaneçam as mesmas. Inclusive eu, na maioria das vezes. 
Mas e dai se eu não estou afim de ficar naquele lugar com 15 pessoas que antes me faziam bem? E dai que é a segunda vez que isso acontece? Não me senti bem, caramba. Tenho mais é que ir embora. E se eu estiver perdendo a vontade de ficar perto deles, se não quiser mais ir à esses encontros, se não for mais como antes, sinto muito. Com certeza isso não brotou dentro de mim atoa. E isso pode acontecer sem que uma crise surja. Por favor!
Ok, nada disso parece vir de mim, logo eu, sentimental, supervalorizadora das amizades e blablabla. Ando cansada, é isso. Talvez amanhã eu esteja recuperada, mas agora? Estou cansada! Não quero conversas, não quero nada, quero ficar quieta e quero que as pessoas fiquem quietas também.
Eu estou sentindo uma coisa que não sei explicar, não sei direito porque não estava me sentindo bem com meus amigos, não sei porque ando exausta de tudo isso e não estou nem aí pra isso. Não é maravilhoso? Estou apenas sentindo isso e não faço questão de saber o que é, nem o porquê. Deixe aí, uma hora passa. 
Eu não quero outra crise. Nem minha nem de ninguém. 
Isso sou eu agora. Seria egoísmo demais da minha parte querer que as pessoas compreendam isso. Seria egoísmo demais pensar que se algum deles chegasse e me falasse isso eu aceitaria numa boa. Por isso, mesmo não querendo crises, desabafos, discussões, etc, irei continuar convivendo com isso, porque não posso exigir nada dessas pessoas. Esse momento é meu. Essa sou eu agora. Amanhã posso ser outra coisa e... sem crise quanto à isso, mas essa coisa de amanhã pode estar em crise.

Cresci.
Volta e meia volto a ter 5 anos de novo, mas é coisa rápida. De forma geral eu cresci mesmo. Amadureci. Aprendi muitas coisas. Continuo tentando aprender e compreender algumas outras. Mas parece que tem sempre aquilo que me leva pra baixo, pros meus 5 anos. Ele me faz insegura, me desestrutura. Me faz parecer insana. Faz com que eu mesma me magoe.
Mas não. Não é isso que quero escrever hoje.
Essa foi a primeira tentativa de escrever alguma coisa. Logo abandonei o texto.
Fiquei pensando no que escrever e todos os assuntos que me vieram à cabeça me pareceram inadequados. Costumo escrever exatamente sobre aquilo que esta me ocupando o coração e a mente. E muitas vezes isso pode ser repetitivo, pois algumas coisas persistem por um longo tempo aqui dentro. Mas eu decidi que não quero mexer em nada, quero deixar tudo quieto, ta tudo bem assim. Por essa razão venho falado tão pouco, gritado tão pouco. Chorado menos. Olhado mais pra fora do que pra dentro. Acho até que já estou falando demais sobre isso. 
Mas volto ao que me fez querer escrever hoje. 
Sempre gostei de expor o que sinto, de colocar tudo no papel para que, quem sabe, jogando as palavras na folha, o que esta dentro de mim se torne menos doloroso, quando estiver doendo, ou leve mais felicidade pelo mundo, quando for algo feliz.
Mas eu sempre tive um pouco de relutância. Não gostava de espalhar por aí essa minha paixão pela escrita. Sentia um pouco de vergonha de mostrar tudo que eu sentia, como me doía com certas coisas e como eu era complicada e dramática e melosa e sonhadora e blablabla pros meus amigos. Eu acho que ainda sinto um pouco, mas não sinto mais de algumas pessoas. Sem falar que me sentia uma "boba escrevendo bobagens" e não achava muito legal as coisas que eu escrevia. E ainda me sinto assim às vezes, quando, por exemplo, decido escrever um texto pra falar de como é bom quando você vê que algumas pessoas se identificam com aquilo que você escreve (ou na minha linguagem de possível humanista da Psicologia: quando as pessoas são empáticas com aquilo que você diz), ou melhor, quando você percebe que existem pessoas que gostam mesmo do que você escreve. Me dá um orgulho de mim. E pode ser pouca coisa, bobagem mesmo, é só um blog, alguns podem pensar. E nem é tanta gente assim que lê o que eu falo aqui. Mas uma pessoa que seja já vale a pena. Vale mais ainda quando uma pessoa chega e pede pra você escrever. Estou falando do dono desse blog: http://cronollogias.blogspot.com.br/ que me deixou esse comentário, talvez sem imaginar que me deixaria tão contente. Não só pelo fato do pedido deixado no comentário, mas pela admiração que tenho pelos versos escritos e postados no blog, versos que fogem do meu alcance e que por isso mesmo sempre estão a me encantar. Me sinto desafiada e justamente por compreender pouco do que diz sinto como se houvesse um mistério por trás daquelas palavras. Tudo isso pode ser coisa da minha cabeça. Mas as palavras alcançam as pessoas de formas diferentes e as palavras desse blog me alcançam dessa forma, de um jeito misterioso e grandioso. Sei que por trás das palavras escritas ali existem muitos significados que não compreendo. Mas me encantam mesmo assim. 
E meio sem jeito, como comecei esse texto, decidi terminar. 
De repente me peguei a pensar no que disse no início do texto e percebi que se você escreve sempre, sobre tudo, você não cresce sozinha.. todas aquelas pessoas que param e te leem, acompanham o teu crescimento e talvez até se sintam bem com isso. E eu posso dar voltas e voltas, mas sempre estarei no mesmo lugar: o lugar onde me sinto bem quando sei que não estou sozinha.