Os olhos. Talvez os olhos fossem o que mais gostava nele. Não pela cor, não eram verdes, nem azuis... Aquele azul piscina. Não. Não brilhavam. Mas os olhos, não sabia por que, amava seus olhos. Os amantes têm dessas coisas, um detalhe preferido no outro. Por muito tempo, ao olhar para aqueles olhos, sentia que sua vida estava completa. Que bobagem colocar sua vida na existência de outro. Nos olhos de outro! Mas sua vida estava completa. Por saber que aqueles olhos a procuravam, por saber que aqueles olhos que tanto amava só estariam completos olhando para os seus. Ah, os olhos. Hermosos ojos.
E então, aqueles olhos se foram. Porque foi necessário, porque tiveram que ir, porque algo já não podia continuar seguindo. O motivo não importa muito, isso é assunto pra horas de conversa, detalhes intermináveis. Mas eles se foram. Mas ela sabia que aqueles olhos ainda procuravam por ela. Como aquela boca ainda tinha sede dela. As mãos ansiavam por tocá-la. E como tinha vontade de poder tocá-lo também.
E se perguntava como eles a procuravam. Se estavam sem vida. Se mostravam tudo aquilo que ele levava por dentro. Se brilhavam agora... Por outra pessoa. Por algum tempo, soube que aqueles olhos ainda buscavam os dela. Outra companhia dentro dela, essa certeza de que aqueles olhos ainda queriam os dela. Certeza. Essa sim machucaria quando se fosse.
Lívia Gurgel